
Os pescadores amapaenses travam uma nova batalha no Judiciário, em Brasília (DF). Depois de conseguir uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) liberando o pagamento do seguro-defeso, a luta agora é para retroagir o benefício.
Já está marcada uma nova audiência com o ministro do STF, Luis Eduardo Barroso, para o dia 3 de maio, segundo informou o secretário da Federação dos Pescadores do Amapá, Raimundo Nobre, em entrevista à Rádio Difusora de Macapá (RDM) AM 630. No encontro, os pescadores e membros da bancada federal amapaense vão tentar sensibilizar o magistrado quanto aos prejuízos com a falta do recurso.
É que a liminar concedida pelo ministro estabeleceu o pagamento a partir da data da decisão. Ou seja, 11 de março, quando faltavam poucos dias para encerrar a proibição da pesca em algumas regiões, a exemplo do Amapá. Neste caso, os pescadores só teriam direito de receber o seguro a partir do dia 11, como é o caso dos trabalhadores da Ilha do Marajó (PA).
Suspensão do benefício
O benefício do seguro-defeso foi suspenso por 120 dias através da Portaria Interministerial Nº 192, de 5 de outubro de 2015, liberando a pesca artesanal em todo o país no período de reprodução das espécies.
“Mas, os pescadores não estavam pescando, porque se saíssem para pescar, eles eram notificados pelo Ibama e pela Polícia Ambiental, causando muitos transtornos”, relatou Raimundo Nobre.
No documento, os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, justificaram a suspensão para recadastrar os pescadores e fazer uma revisão dos períodos de defeso, por meio dos Comitês Permanentes de Gestão e Uso Sustentável de Recursos Pesqueiros.
A medida causou reação dos profissionais que procuraram o Congresso Nacional em busca de intervenção para suspender a determinação do Governo Federal. Foi quando o Senado Federal aprovou um decreto legislativo sustando os efeitos da Portaria Interministerial.
“Mas, a presidente da República, disse que não ia pagar o seguro porque precisava economizar no setor pesqueiro, R$ 1,6 bilhão - que é o valor do seguro-defeso em todo o Brasil - por causa da crise, preferindo deixar que as espécies fossem dizimadas”, contou Nobre revelando a preocupação com a extinção dos peixes que precisam se reproduzir e garantir a atividade pesqueira.
“Temos um estudo que revela que 53% dos pescadores são analfabetos, 10% sabe ler e escrever e 20% sabe desenhar o nome. Ia ser muito difícil para essas pessoas mudarem de profissão”, consternou-se o secretário da Federação de Pescadores do Amapá.
Logo em seguida, a Casa Civil da Presidência da República entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) no STF, contra o decreto legislativo. Mas, o ministro relator do processo, Luis Eduardo Barroso, deu ganho de causa aos pescadores que se mobilizaram para que o Congresso Nacional os representasse na Ação.
Dos cerca de 500 mil pescadores que existem em todo o Brasil, aproximadamente 18 mil são amapaenses que estão sendo afetados diretamente com os desdobramentos da suspensão do benefício.
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