
A Biblioteca Pública Elcy Lacerda preparou uma vasta programação, com direito à transmissão ao vivo pela Rádio Difusora de Macapá (RDM) AM 630, para celebrar o aniversário de 71 anos, nesta quarta-feira, 20 de abril.
E, como não poderia ser diferente, um dos frequentadores assíduos desde que chegou em Macapá há 56 anos, o professor Antônio Munhoz Lopes, amante das artes e da literatura, marcou presença no evento e conversou com a Rádio Difusora de Macapá.
Natural de Belém (PA), o professor Munhoz trabalhou por cerca de 10 anos na Biblioteca Elcy Lacerda, como orientador de pesquisa e se tornou um dos mais ilustres incentivadores da boa leitura no Estado do Amapá, ajudando na formação de centenas de amapaenses que, hoje, ocupam lugar de destaque na sociedade, como engenheiros, professores, juízes, desembargadores, entre outros.
“A biblioteca é um prolongamento da minha casa porque estou aqui constantemente. Sinto necessidade de vir aqui consultar os livros, embora tenha a minha biblioteca particular em casa”, confidenciou à repórter Mirrelle Rabelo.
Incentivador da boa leitura, o professor definiu o que isto significa para ele. “É um elemento fundamental na minha vida. Sem leitura eu me desatualizo, fico fora do mundo, fora da realidade”.
O que traz a leitura
Como bom apreciador de tudo que envolve arte e literatura em viagens internacionais, Antônio Munhoz deu a receita para conhecer e se tornar íntimo dos lugares distantes.
“A leitura abriu todas as janelas da minha vida. Para fazer essas grandes viagens que eu faço pelo mundo anualmente, eu leio muito. Me preparo. Eu não vou de olhos fechados. Gosto de todos os lugares do mundo, embora eu tenha uma predileção por Paris. Mas, me sinto em casa em Lisboa, em Israel. Na terra santa, eu ando como se estivesse em Macapá. Mas, isso é fruto da leitura. De viver constantemente com aqueles assuntos. Com a realidade daqueles assuntos nas reportagens e nos livros”, ensina o professor.
Pouco afeito às tecnologias, na altura dos seus 84 anos, agora que dispõe de um aparelho de celular. “Somente agora eu tenho um celular pela primeira vez porque me deram de presente. Mas, eu não sei nem mexer nele, só sei receber [chamadas]”, disse entre risos.
Para ele, a comunicação verdadeira é aquela face a face, embora se comunique com amigos através de cartas. “Acabei de receber duas cartas de Portugal de amigos procurando saber se eu estou bem de saúde”, contou.
Ainda sobre as viagens pelo mundo, ele revela a necessidade de voltar. “Eu tenho que voltar sempre pra Macapá, onde moro há 56 anos”, confessou com ar de nostalgia.
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